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Toró de Pitaco // Presença digital // 5 min de leitura

O Instagram quer a TV da tua sala

Beto CanutoBusiness Creative

Vídeo horizontal no Instagram para TV. Imagem: Divulgação/Meta
Vídeo horizontal no Instagram para TV. Imagem: Divulgação/Meta

Desde que lançou o Reels, o Instagram empurrou todo mundo pra mesma direção: vídeo curto, de preferência com menos de 90 segundos. Foi assim por anos. No dia 26 de outubro, o próprio Instagram anunciou o caminho contrário: vídeo horizontal, de até 90 minutos.

O nome do formato é Features. E o detalhe que interessa a quem lê daqui: o teste começou com criadores no Brasil.

O que foi anunciado

O anúncio veio num vídeo de Adam Mosseri, chefe do Instagram, com Tessa Lyons, vice-presidente de produto da Meta. O Features aceita vídeo deitado, em tela cheia, com até 90 minutos. Segundo a Variety, o número ainda está em teste, então vale ler os 90 minutos como teto provisório.

Depois do Brasil, o teste vai pra um grupo pequeno de criadores nos Estados Unidos, segundo o 9to5Mac e o The National. Por enquanto, só publica quem tem acordo direto com a Meta, e o alvo declarado são podcasters e comediantes, segundo o Engadget.

O Reels vira porta de entrada

A mudança mais interessante está na ligação entre os formatos. Um trecho curto no Reels pode levar direto pro vídeo completo, sem sair do Instagram. O exemplo da própria Tessa Lyons, citado pelo 9to5Mac, é o corte de um podcast: a pessoa assiste ao trecho e segue pro episódio inteiro. Os vídeos longos também vão aparecer no Explorar.

Repara no desenho. O curto chama, o longo segura. E tudo acontece dentro do mesmo app, que é exatamente onde o Instagram quer que a tua atenção fique.

A disputa é pela sala

O vídeo longo tem um destino claro: a TV. O Instagram para TV começou no Fire TV, nos Estados Unidos, em dezembro de 2025. Passou pelo Google TV em fevereiro, pela Samsung em junho e chegou à Apple TV em 23 de outubro, segundo o MacRumors. Agora o app de TV ganha vídeo longo, Stories e transmissões ao vivo. No começo, sem anúncio.

O motivo tem número. Segundo a Nielsen, o YouTube ficou com 12,7% de todo o tempo de TV nos Estados Unidos em janeiro e fevereiro de 2026, a maior fatia de uma única empresa de mídia. Em maio de 2025, já eram 12,5%. É esse território que o Instagram quer disputar, e é onde está o anunciante que paga mais por vídeo longo.

Já vimos esse filme

Mosseri passou anos desconfiado de vídeo longo. O receio, segundo o Engadget, era o app se afastar da conversa entre amigos e o longo roubar tempo do curto. Agora ele diz que os dois podem ser "simbióticos", que vai "levar um tempo pra acertar" e que a Meta está "muito comprometida no longo prazo".

Vale lembrar que o Instagram já tentou isso. Em 2018, lançou o IGTV, um app só pra vídeo longo. Em 2022, fechou. E sobre dinheiro pro criador, a Meta diz que ainda é cedo pra falar do modelo.

O que isso muda pra quem tem o que dizer

Pensa em quantos Reels tu assistiu hoje. Agora tenta lembrar o nome de três perfis. Vídeo curto gera visualização, e visualização passa rápido. Audiência é outra coisa: é gente que volta, que lembra de ti, que procura o próximo.

O vídeo longo é onde a pessoa fica tempo suficiente pra decidir se volta. Por isso o movimento do Instagram faz sentido, e por isso ele chega com tanta pressa atrás do YouTube.

Pra profissional maduro, essa conversa tem um lado bom. Aula, palestra, entrevista, conversa com cliente: tu já produz conteúdo longo há anos, só que ele fica guardado na sala de reunião. O que muda agora é o número de lugares onde ele pode morar.

Meu pitaco é que eu não mudaria nada correndo. O Instagram já tentou isso com o IGTV e desistiu em quatro anos. Eu sigo gravando o longo pensando no YouTube, onde a audiência fica, e uso o Instagram pra levar gente até lá. Se o Features pegar, o material já existe.